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DESTINO E DESENCONTRO
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O amor ou a dor podem aparecer sem a gente ao menos esperar e quando vem, faz de nossa vida um turbilhão de novas emoções e sensações que nunca dantes experimentadas... eu chamo de revoluções de sentimentos.
...Resta só saber se é benção ou maldição...
_ Não sei por que você insiste nisso papai?
Retrucou Catherine quando seu pai lhe falou novamente sobre a necessidade de
Catherine conhecer um bom rapaz.
_ Filha minha, estou em meus últimos dias, sinto isso! Preciso que alguém cuide de ti e dos nossos interesses financeiros, tua mãe se foi cedo demais e você é meu único tesouro.
_ Mas papai tudo tem seu tempo certo e agora não é a hora, tenho muito a fazer em minha vida antes de me entregar ao ócio de ser esposa e mãe pura e simplesmente.
_ Mas, filha...
_ Esquece papai!
Catherine se lembrava dessas palavras como se tivessem sido proferidas ontem e já se passara dois anos do falecimento de seu pai que morrera de uma parada respiratória depois de uma longa e tenebrosa doença do pulmão. Estava agora com vinte e dois anos o que pra época já era considerado uma solteirona – as meninas se casavam aos dezesseis.E isso foi a algum tempo.
Estava, porém sentada em sua cadeira de costume olhando as ruas e pensando se realmente seu pai não teria razão. Quis afastar tais pensamentos... deixaria por conta do destino sua vida, sua felicidade. Balançou a cabeça como querendo afugentar tais pensamentos e levantou-se indo em direção a cozinha:
_ Dindinha! Já preparou os suprimentos pra que eu leve hoje?
_ Sim, minha filha, está tudo arrumado como você gosta...
Isso tudo aconteceu na cidade de Toulouse na França.
Catherine era uma mulher com características singulares, diria até, únicas. Era desprovida de vaidade, apesar de extremamente bela e sua aura luminosa, seus cabelos negros contrastavam com sua pele alva seu corpo delgado e quase melindroso já tinha atraído olhares de cavalheiros das redondezas que até lhe propunham casamento, mas nunca pensou seriamente no assunto, não como seu velho pai - ainda não havia encontrado seu verdadeiro amor. Tinha pensamentos próprios bem à frente do seu tempo. Porém tinha como principal objetivo o amor ao próximo e o desejo da caridade. Apesar da grande riqueza que possuía e sua casa imponente, jardins floridos circundavam toda a casa trazendo uma aura de alegria e paz ao lugar.
Gados e uma extensa plantação de uvas selecionadas, que geravam um vinho de excelente aceitação, faziam parte do agora seu patrimônio.
Ela não se contentava em participar das tardes de chás por vezes enfadonhas e sem graça com mulheres mexeriqueiras cujo único objetivo era falar mal de seus maridos e das amigas próximas quando não estavam presentes.
O prazer dessa adorável jovem era sair pelas ruas frias e chuvosas a noite a procurar pelos menos favorecidos na iminência de ajudá-los, era regozijo e gozo pra aquelas pessoas quando Catherine passava por ali graciosa e doce, eram-lhes dado suprimentos necessários para passarem uma noite menos fria e menos sofrida.
Ela não se envaidecia da alegria e da gratidão que vinha daqueles corações pobres e miseráveis, pelo contrario; enaltecia – os com seu amor e dedicação.
E esse caminho era feito dia após dia, noite após noite incansavelmente nossa doce amiga se fazia presente naquelas ruas ameaçadoras.
Certo dia, sem nem mesmo saber por que, ela tinha a certeza de que ao sair à rua naquela noite, sua vida iria mudar algo em seu coração dizia... não tinha noção se era algo bom ou ruim, só sentia que seria uma mudança radical demais e que seu futuro seria mudado naquela noite.
Como de costume, no início da noite, preparou ela mesmo os suprimentos, deu comida a seu gato Endell, sentou-se em sua costumeira cadeira de balanço próximo a janela que dava pra rua principal com seu livro preferido no colo e ficou pensativa, olhando as pessoas que passavam alheias ao seu olhar distante;sentia-se diferente e sabia que ao sair do conforto do crepitar da lareira e do carinho amável do seu gato pra ir às ruas tudo iria mudar.
Porém Catherine não se amedrontou diante do desconhecido, pegou sua cesta de pães e as garrafas de café e foi pras ruas, encontrar os mesmos pedintes de costume, os mesmos olhares tristes e machucados pela vida, as mesmas histórias de perdas de ente queridos e abandono, nada disso a entediava pelo contrário, ouvia atenciosamente como se fosse a primeira vez.
Porém, naquela noite havia mais alguém entre os costumeiros rostos, alguém que ela não estava habituada a ver por ali, por sorte, hoje havia trazido mais suprimentos do que de costume.
Aquela figura, não parecia pertencer aquele mundo, estava sujo, barbudo com os olhos tristes, mas ela sentia que aquele homem mudaria sua vida. Ficou um tempo por ali conversando com os pedintes, ouvindo suas dores e tentando com um pouco de solidariedade auxiliar no que podia. Tinha feito algumas coisas por aquele povo: duas senhoras muito boas chamadas Ethel e Karine, porém desprovidas de sorte e com histórias diferentes foram contratadas pra trabalhar em sua residência e eram gratas e ótimas empregadas suas histórias de vida se assemelhavam no isolamento e solidão, mas era diferente a primeira a Srta. Ethel havia sido molestada pelo pai e consequentemente fugiu de casa, tendo em vista, uma sociedade conservadora sua mãe que não tinha condições de sustentabilidade deixou – a ir. Foi, porém nunca mais retornou ao lar e a Sra. Karine uma gordinha simpática tinha desavenças com o marido que batia muito nela até que não agüentou também e tentou a sorte nas ruas, afinal ali pelo menos todos eram iguais sofriam de alguma forma por alguma coisa que era alheio a suas vontades. Mas aquele homem, não parecia estar ali por sofrimento físico ou psicológico, Catherine tinha que descobrir o que um homem como aquele com características de um lorde estava entre os plebeus. Características essas até bem próprias seu aspecto físico era belo, seus negros cabelos caiam lhe pela face escondendo seus belos olhos cinza de um cinza como a noite chuvosa, sua boca tinham contornos perfeitos, seu tórax mostrava que tinha um porte elegante e firme. Sua voz embora melindrosa pela situação era marcante e precisa não escondendo a concordância correta das palavras proferidas vergonhosamente ao agradecer pelo pão. Aos poucos Grace conseguiu tirar algumas informações daquele estranho homem, gostava de saber um pouco da vida das pessoas que tornava sua vida mais plena e cheia. O nome do cavalheiro é Edward, mas precisamente Sir Edward foi o que ela imediatamente pensou.
Conseguiu saber muito pouco a respeito dele, não por ele, mas pelos que compartilhavam de sua noite fria. Ficou sabendo que era médico e que estava ali por que uma tragédia havia se abatido sobre sua família, em uma noite chuvosa com uma densa tempestade sua esposa dera a luz, mas um parto difícil e um pouco da ajuda do destino a levou do seu convívio, deixando somente a pequena Debye hoje com seis anos, ficou sabendo também que amenina estava em companhia dos avós maternos tendo em vista que Sir Edward se entregou ao vicio da bebida e ao ócio por não agüentar a perda da esposa amada.
Catherine, porém ficou meio que encantada como nobre cavalheiro, não sabia precisar se era compaixão ou outro sentimento que brotava nela, mas sentiu que sua vida realmente mudara. Dali em diante todos os dias ia com mais prazer e alegria ao encontro daquele povo sofrido, por que sentia em seu coração uma alegria escondida de poder novamente ver Sir Edward entre os famintos.
Certo dia pela manhã, o seu jardineiro Michael um jovem esperto, porém preguiçoso, pediu despensa do serviço, alegando ter arrumado algo “melhor” pra ganhar dinheiro. Não sabia por que imediatamente pensou em Sir Edward pra ocupar o cargo.
Mas como? Se Sir Edward tinha mãos tão macias e precisas por certo não saberia nem pegar em um cabo de enxada. Mas essa idéia começou acrescer em sua mente na mesma proporção que o mato ia crescendo em seu jardim.Então certa noite, fez o convite a sir Edward na certeza de que ele não aceitaria, porem qual não foi sua surpresa quando o aprendiz de mendigo disse sim ao seu convite.
Catherine não se continha de alegria, e pior; isso deixaria demonstrar a todos seus amigos pobres e mais ainda em sua casa, quando chegou com o mais novo morador. Chegando logo em casa pediu a Ethel que preparasse o melhor banho que pudesse e lhe arrumasse roupas novas pra vestir,enquanto pedia quase que ao mesmo tempo a karine que arrumasse o quartinho dos fundos pro mais novo empregado da casa e colocasse lençóis limpos e perfumados.Sir Edward teve uma noite como há muito não tinha, fartou-se na mesa da cozinhada melhor comida que experimentara em muito tempo e ao deitar-se na cama quentinha e limpa, sentiu como se estivesse vivendo um sonho. Mas nada tirava dele aquele olhar distante e triste e certamente observado de longe por Catherine. Adormeceu logo que se deitou.
Na manhã seguinte, acordou com o nascer do sol, o canto dos pássaros anunciaram uma nova aurora.Levantou-se e dirigiu-se a cozinha onde Ethel já estava preparando o desjejum de Catherine e o café da criadagem. Ethel pediu que o novo membro da casa esperasse um pouco e logo foi servindo a ele bolo de fubá feito fresquinho comum café com leite maravilhoso e pães e tudo o que tinha de melhor na mesa, afinal fora ordem da dona da casa.
. Um pouco mais tarde ainda meio que sem saber o que fazer Sir Edward começou a perambular pelo jardim, meio que perdido, foi caminhando por entre as árvores precisando ser podadas e pelas flores já murchas pela falta de água, aos poucos, foi se familiarizando com o ambiente a sua volta, viu ao longe,seus instrumentos de trabalho, não eram mais bisturis nem coisas do tipo e sim enxadas, ancinhos e pás. Mas sentia-se leve naquela casa, em meio aquelas plantas e flores, que sabia precisavam dele pra continuar vivas, agachou-se e começou timidamente a retirar as ervas daninhas que ficavam entre uma planta e outra.
Porém não se deu conta de que de longe era observado. Catherine ria-sedo mau jeito dele em lidar com os matinhos e foi assim que começou a ser travada uma amizade que sem duvida seria benéfica pra ambos.
Logo que a viu na varanda, foi ao seu encontro. Ele ainda não havia percebido como era bela e mais bela ainda ficava ao amanhecer com os raios de sol batendo em seu rosto. Mas nem de longe deixou que sua admiração fosse percebida por sua patroa, deu um bom dia meio que sem jeito e perguntou as tarefas do dia. Nossa querida Catherine, porém queria saber mais, queria saber se o mesmo fora bem tratado desde a sua chegada. Convidou aquele homem meio que misterioso a sentar-se em sua mesa. Não era novidade, pois ali em ressemeler d'été tratava a todos como iguais.
Entre outras coisas nosso querido amigo disse-lhe que nunca tinha tido uma noite tão tranqüila e reconfortante em anos. O que deixou Grace bem mais tranqüila, sinal de que ele ficaria ali por algum tempo.
Deu ao nosso amigo as tarefas inerentes à função de jardineiro, já imaginando ser uma tarefa árdua, porém enganou-se Sir Edward demonstrou aprender rápido e logo, logo já estava tudo limpo, podado e regado o que causou uma excelente impressão a Grace. Mas ela não sabia que o pai de Sir Edward havia sido jardineiro e há muito Edward acompanhou o pai pelas incursões aos jardins das casas onde trabalhara. Um dos dados da vida de Edward que mais tarde ela ficou sabendo.
Os dias foram se passando e o carisma e a amizade entre eles aumentando o que já era de se supor tendo em vista que falavam a mesma língua, pois ambos vinham de uma linhagem de peso pra época, famílias tradicionais e comportamentos ilibados.
Não demorou muito pra que Sir Edward adquirisse a confiança de Catherinee da mesa da cozinha passou a mesa da sala de estar pra longas conversas em meio à chás depois de um farto almoço. Sua inteligência também foi muito observada por Catherine viu que tinha tino pra negócios, coisa aliás que ela vivia se perdendo e tendo prejuízos aqui e acolá.
Como não poderia deixar de ser logo Edward foi promovido a secretário particular, tarefa essa desempenhada com louvor. Com isso passaram a ter uma convivência mais próxima, o que deixou Karine preocupada tendo em vista que se tornara meio que uma “mãe” postiça para Catherine, viu que sua menina estava se envolvendo mais do que o necessário com aquele que segundo ela, tinha vindo pra tirar a paz do Solar, comentário esse totalmente aceito pelo gato Endell que não teve mais seu colinho nas tardes em frente à lareira. Passando a ficar mais tempo na cozinha em companhia de sua também querida Karine.
Certa manhã Sir Edward informou a Catherine que precisaria fazer uma viagem rápida, porém urgente, seu pai ficara doente. O que a deixou apreensiva e temerosa de que nosso amigo tivesse que passar mais tempo que o necessário em casa de seus pais.
E Edward ajeitou tudo para que em sua ausência sua falta não fosse tão sentida, mas impossível... Catherine já estava habituada demais àquela convivência harmônica que tanta paz e alegria vida havia trazido pra sua casa e os negócios iam de vento em popa com as mãos habilidosas do nosso forasteiro o que tranqüilizava Catherine. Sentia-se protegida com a presença daquele homem em sua casa, nunca havia experimentado tal sensação e estava gostando.
Longos e chuvosos dias decorreram desde que Sir Edward se foi, pareciam séculos de distancia, ausência e saudade. Até a natureza sentia falta daquela presença doce desde que se foi dias chuvosos e frios se instalaram na mansão. Endell, portanto sentiu que sua dona estava triste e tentava confortá-la o mais que pudesse se engalfinhando no seu colo não querendo carinhos sim fazendo carinho em sua doce Catherine.
Eis que um dia Catherine recebe uma carta de Sir Edward informando que seu pai falecera, portanto ia se ausentar mais do que o necessário dos negócios e em decorrência... de Catherine.
Sua mãe não estava bem e sua filha abalada, mas Sir Edward já estava fortalecido e restabelecido o que foi de extrema importância para o pronto restabelecimento de sua mãe e de sua filhinha.
Ficava agora pra Edward o dilema de deixar sua família sozinha e ter que regressar pra perto de Catherine. Até porque os negócios da família ficariam à cargo de seu irmão mais novo Philipe o que não seria boa idéia,tendo em vista que o rapaz só queria saber de farras e garotas nas noites francesas.
Optou pelo regresso à Catherine, sabendo que teria que vez por outra vir ao encontro de sua mãe e de sua filha, estaria ele pensando em trazê-las para o convívio de Catherine logo que pudesse.
No meio do caminho houve um assalto à sua carruagem, pertences e todo o dinheiro que trouxera fora roubado por salteadores, Edward havia sido ferido gravemente chegando à morte, deixando em Catherine a convicção de que havia sido abandonada pelo seu amado.
O que a vida houvera lhe dado com tanto amor, a vida lhe tirou de forma tão abrupta e cruel, deixando em Catherine o amargor e a dor de um encontro e desencontro.
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ROSANE SILVEIRA
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